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Aeroporto: Estudo da Associação Comercial do Porto analisa as várias hipóteses
Portela+1 pode trazer poupanças de dois mil milhões de euros ao erário público
28.11.2007 - 08h36
Por Luísa Pinto 
David Clifford/PÚBLICO (arquivo)
A preocupação do estudo vai quase toda para uma quantificação dos custos e dos benefícios
Um estudo encomendado pela ACP à Universidade Católica incide na análise económica e defende manutenção da Portela, apoiado por uma base low cost na margem esquerda.

A Associação Comercial do Porto (ACP) já entregou ao Governo o seu contributo para a discussão em curso sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa, aquele que deve ser o último estudo a ser conhecido antes de o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), encarregado pelo executivo de analisar as alternativas, se pronunciar.

O estudo da ACP não se debruça muito sobre a localização do aeroporto, nem aprofunda a questão das acessibilidades ou dos impactos ambientais - apesar de não descurar estes temas. A preocupação vai quase toda para uma quantificação dos custos e dos benefícios trazidos por cada uma das soluções que já foram apresentadas - a Ota defendida pelo Governo, e Alcochete defendida no estudo pago pela Confederação da Indústria Portuguesa - e ao qual acrescentam mais uma: a manutenção do aeroporto da Portela como aeroporto full service, complementado por segundo aeroporto na margem esquerda do Tejo, para receber o tráfego das companhias de aviação de baixo custo (as low cost).

A opção por esta "terceira via" que a ACP decidiu estudar revela que podem ser poupados cerca de dois mil milhões de euros, caso se resolva transformar a actual base militar do Montijo num terminal para receber companhias low cost, e 1,3 mil milhões de euros caso se opte pela solução Alcochete. Trata-se, pois, de volumes de investimento muito diferenciados, mas a equipa que realizou o estudo sublinha ter consciência de que "um modelo de exploração assente em dois aeroportos só terá vantagens se se conseguir economizar no capital investido e manter os custos de exploração unitários constantes por comparação ao cenário de uma única estrutura". Ou seja, não se investe muito mais, e mantêm-se as margens operacionais na exploração de um novo modelo de negócio, a opção pela separação de aeroportos full service (aptos a receber passageiros em trânsito e hubs das companhias aéreas ditas tradicionais) e aeroportos low cost. A Portela continuaria a ser um aeroporto full service e a albergar o hub da TAP, e na margem esquerda do Tejo surgiria desde já um terminal low cost, para onde seriam transferidos os actuais três milhões de passageiros, aliviando a Portela, e prolongando-lhe o seu "prazo de vida".

No estudo usaram-se a Portela e o Aeroporto de Faro como exemplos de aeroportos full service e low cost para perceber que as margens operacionais atingidas em cada um dos segmentos não são muito distintas: 3,5 euros por pessoa num aeroporto full service, e 2,25 euros por pessoa num aeroporto low cost. Estas margens de exploração revelam também diferenças face a outros aeroportos internacionais, porque são, referem os autores do estudo, "anormalmente baixas", o que agrava "os riscos de se firmarem compromissos a longo prazo". "Os custos mais elevados e as receitas mais baixas constituem um factor de destruição de valor, caso não exista flexibilidade suficiente para ajustar estrategicamente o modelo de negócio aos condicionalismos da evolução de mercado", lê-se no relatório do estudo. Por isso, defende que a construção do aeroporto se faça de uma forma modular, para que possa ajustar-se à evolução do mercado e adequar o ritmo dos investimentos à procura que se venha a verificar.

A alternativa "Portela+1" permite diferir o investimento na construção de um novo aeroporto, aproveitando ao máximo o investimento de 380 milhões de euros que está a ser realizado na Portela, e defende a possibilidade de ter disponível, já a partir de 2010, um aeroporto para prestar serviço exclusivo às companhias low cost.

No caso de a Portela ter de ser definitivamente abandonada - já depois dos investimentos devidamente rentabilizados -, defendem a possibilidade de transferir todo o tráfego para o aeroporto inicialmente secundário. No estudo da ACP demonstra-se que tanto Alcochete como Montijo têm capacidades de servir estes objectivos, sendo que a localização Alcochete poderá ser mais demorada, embora apenas marginalmente.

Quem fez o estudo

O estudo encomendado pela Associação Comercial do Porto (ACP) à Universidade Católica foi realizado pelo Centro de Estudos e Gestão de Economia Aplicada (CEGEA) da Faculdade de Economia e Gestão e integrou uma equipa de investigação multidisciplinar coordenada por Álvaro Nascimento. As questões de engenharia foram estudadas pela Trenmo, uma empresa de consultoria em transportes que resultou de um spin off da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, fundada por Álvaro Costa. Este especialista em transportes, envolvido nos estudos para a terceira travessia do Tejo, participou também como representante da ACP no Conselho de Orientação Estratégico presidido por Miguel Cadilhe.
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"O Plano de Estabilidade e Crescimento e as autoridades europeias fracassaram quando foram complacentes com o seu não-cumprimento. Não agora, mas durante o 'bom tempo' económico."
Vítor Bento, jornal "Público", 8-2-2010
 

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