| Miguel Madeira/PÚBLICO |
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| Os trabalhadores da Valorsul estão em greve desde terça-feira e por tempo indeterminado |
Esta madrugada, a GNR afastou uma centena de grevistas que bloqueavam a entrada dos camiões que iriam descarregar lixo no aterro sanitário de Mato da Cruz. A greve dos trabalhadores da Valorsul começou terça-feira passada.
Cerca da 01h00, três unidades motorizadas transportando elementos da GNR em uniforme de intervenção chegaram ao aterro e afastaram o piquete de greve que se encontrava junto aos portões do aterro.
No comando-geral da GNR apenas foi confirmado ter havido um pedido, dirigido ao Regimento de Infantaria de Lisboa, de "reforço do pelotão operacional" no terreno.
Segundo Delfim Mendes, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás do Centro, Sul e Ilhas (SINQUIFA), “os membros do piquete foram empurrados, arrastados e esmurrados”, classificando a acção da polícia como "ilegal e desproporcionada".
Segundo o sindicalista, em face da confusão e depois de uma conversa entre elementos do sindicato e os encarregados da Valorsul, chegou-se à conclusão que não havia condições para que o lixo fosse descarregado e os camiões voltaram para trás cerca das 04h00.
Delfim Mendes disse que a situação está agora "mais calma", mantendo-se no local elementos da GNR e do piquete de greve.
Trabalhadores pedem ao MAI retirada da polícia de Mato da CruzDepois dos acontecimentos desta madrugada, um grupo de trabalhadores da Valorsul vai deslocar-se esta manhã ao Ministério da Administração Interna, em Lisboa, para exigir a retirada da polícia do aterro de Mato da Cruz.
"Vamos (...) exigir a retirada das forças policiais do aterro porque o que está em causa não são questões de ordem pública, mas sim laborais", disse Delfim Mendes.
Hoje uma delegação do sindicato será recebida no gabinete do primeiro-ministro e uma segunda delegação deslocar-se-á ao Ministério do Ambiente para, segundo Delfim Mendes, sensibilizar os responsáveis para a "gravidade da situação no aterro".
Os trabalhadores da Valorsul estão em greve desde terça-feira e por tempo indeterminado, reivindicando um aumento salarial de 3,7 por cento (a empresa oferece entre dois a 3,3 por cento, em benefício dos trabalhadores com remunerações mais baixas) e protestando contra a intenção da administração de reduzir o tempo de descanso entre turnos de 12 para oito horas.
A Valorsul é a empresa responsável pelo tratamento e valorização de cerca de 750 mil toneladas de resíduos produzidos na Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira. O lixo tem estado a ser encaminhado nos últimos dias para o aterro sanitário de Mato de Cruz devido à greve que obrigou a encerrar a central de incineração de São João da Talha (Loures), que recebe habitualmente a maior parte dos resíduos.