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Pneus chineses discutidos por Obama em Pequim
Um funcionário de uma fábrica de pneus na provincia de Anhui, na China, trabalha no armazem. As exportações de pneus da China para os EUA e as taxas recentemente impostas por Washington são um dos temas a debater durante a visita de Barack Obama à China. Fotografia: REUTERS/Stringer

 
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É o valor, em mil milhões de euros, que atinge o crédito incobrável no segmento dos particulares em Portugal
 

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Presidente tenta conter maré de polémica em torno do banco que fundou
Jardim Gonçalves assume dívida do filho e não se demite do BCP
23.10.2007 - 08h56
Por Cristina Ferreira PÚBLICO
Nelson Garrido/PÚBLICO (arquivo)
Jardim Gonçalves escreveu a Filipe Pinhal responsabilizando-se pelas dívidas do filho ao BCP
O ex-presidente do Banco Comercial Português (BCP), Jorge Jardim Gonçalves, assumiu a dívida de 12 milhões de euros contraída pelo filho, Filipe Gonçalves, junto da instituição e que tinha sido considerada incobrável por dois administradores, Filipe Pinhal (actual presidente executivo) e Alípio Dias.

Numa carta enviada sexta-feira a Pinhal, Jardim diz que se responsabiliza por todas as dívidas incobráveis de empresas onde o filho possuísse directa ou indirectamente posições.

Ofundador do BCP pretende, assim, colocar um ponto final na polémica que rebentou à volta das operações do filho com o banco. O BCP esclareceu, entretanto, que Jardim não se demitiu da presidência do conselho geral e de supervisão, como chegou a especular-se durante a tarde.

Filipe Gonçalves contraiu empréstimos da ordem dos 12 milhões de euros, associados a várias sociedades onde possuía posições accionistas. As empresas faliram e os empréstimos foram declarados incobráveis. Filipe Gonçalves ainda entregou ao BCP um imóvel avaliado em cerca de um milhão de euros, o que abateu à dívida global.

Jardim liderava o banco quando o crédito foi concedido e mantinha-se nas funções quando dois dos seus gestores, Filipe Pinhal e Alípio Dias, decidiram "perdoar" os créditos. Os gestores já explicaram que se tratou de um procedimento normal, dada a falências das firmas. E Jardim tem-se defendido, alegando que não beneficiou directa nem indirectamente do empréstimo e que desconhecia a situação de bancarrota das empresas.

O problema foi divulgado pelo Expresso e levou accionistas como Joe Berardo e Pedro Teixeira Duarte a exigirem investigações que estão a ser desenvolvidas pelos supervisores, Banco de Portugal (BdP) e Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

De acordo com alguns juristas, Filipe Gonçalves não poderia ter negociado com o BCP um empréstimo comercial, dada a sua relação de parentesco com o presidente da instituição. Isto, porque a lei impede que os bancos dêem crédito, "sob qualquer forma ou modalidade", a membros dos órgãos sociais ou "a sociedades ou a outros entes colectivos" por eles "directa ou indirectamente controlados." Para outros especialistas, o financiamento foi regular, pois Jardim não beneficiou do empréstimo obtido pelo filho. E é este o entendimento do fundador do BCP. O BdP está também a avaliar se Filipe Gonçalves tinha posição dominante nas empresas, um ponto relevante para a sua apreciação. Já a CMVM quer saber se houve tratamento privilegiado de um ou mais accionistas, relativamente a outros, se os créditos deveriam ter sido comunicados e se a sua contabilização está correcta.

Em todo o caso, ao assumir as dívidas do filho, Jardim admite, ainda que indirectamente, que a situação era, pelo menos do ponto de vista ético, duvidosa, dadas as relações de parentesco. Mas este financiamento coloca outras questões que os supervisores estão a analisar: em que condições foi o crédito concedido; como é que o banco deixou que a divida se acumulasse até àquele montante, sem intervir; e desconhece-se se as empresas de Filipe Gonçalves tinham capitais próprios adequados aos financiamentos.

Teixeira dos Santos atento

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, "está atento e preocupado" com o futuro do BCP, como cidadão e como tutela do sector, segundo o seu porta-voz. Mas o ministro entende que o futuro do banco passa "pelo mercado e pelos seus accionistas". E que "só intervirá", se o sector correr risco. O BCP entrou numa nova fase. Depois de o BPI ter revelado interesse no banco (fala-se em fusão), onde possui 8,5 por cento, ficou a saber-se que a CGD, o BES, o Santander e alguns governantes veriam com bons olhos a partilha da instituição.
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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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