| Nuno Ferreira Santos/PÚBLICO (arquivo) |
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| José Sócrates |
O primeiro-ministro, José Sócrates, fez hoje uma defesa veemente do novo Plano Nacional de Barragens, que será aplicado até 2020, alegando que o desaproveitamento do potencial hídrico ameaça a autonomia e torna Portugal mais dependente do exterior em termos energéticos.
O plano, apresentado hoje em Lisboa, prevê que Portugal atinja em 2020 uma capacidade hidroeléctrica superior a sete mil megawatts e em que os novos aproveitamentos hidroeléctricos a implementar assegurem valores de potência instalada adicional na ordem dos dois mil megawatts.
Ao nível energético, o primeiro-ministro sustentou que falta a Portugal "apenas cinco por cento em definição estratégica, mas 95 por cento em termos de execução". "Este plano representa acção, decisão e visão de médio e longo prazo. Mostra que Portugal quer aproveitar o seu potencial hidroeléctrico", disse o chefe do Governo.
José Sócrates dramatizou eventuais consequências se Portugal optar por "continuar a desaproveitar o seu potencial hídrico" ao nível energético. "Isso coloca em causa a nossa autonomia e torna o país mais vulnerável perante o exterior em termos energéticos", advertiu, antes de se referir a um dos principais eixos políticos do plano.
"Precisamos de assegurar que, a médio e longo prazo, Portugal seja mais livre e uma nação menos dependente", frisou, antes de fazer uma alusão aos objectivos do plano em termos ambientais.
"Portugal precisa de cumprir os seus compromissos internacionais em matéria de redução de emissões e de aposta nas energias renováveis, em que se encontra já no pelotão da frente da União Europeia", disse.
José Sócrates fez ainda questão de frisar que o plano nacional de barragens "resulta pela primeira vez de uma avaliação ambiental estratégica" e "inaugura uma nova fase ao nível do planeamento hídrico".
Na sua intervenção, o primeiro-ministro referiu-se também à linha estratégica do executivo em matéria energética.
"A nossa aposta na energia eólica só faz sentido se for considerada como um complemento da aposta no aproveitamento dos recursos hídricos", sustentou.