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Pneus chineses discutidos por Obama em Pequim
Um funcionário de uma fábrica de pneus na provincia de Anhui, na China, trabalha no armazem. As exportações de pneus da China para os EUA e as taxas recentemente impostas por Washington são um dos temas a debater durante a visita de Barack Obama à China. Fotografia: REUTERS/Stringer

 
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É o valor, em mil milhões de euros, que atinge o crédito incobrável no segmento dos particulares em Portugal
 

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Crise no mercado mundial de cereais
Alimentos com preços mais altos em 2008
24.09.2007 - 09h03
Por Ana Fernandes PÚBLICO
Daniele La Monaca/Reuters
O mau ano de colheitas está a contribuir para a subida de preços
O aumento da procura, tanto para alimentação como para biocombustíveis, e as péssimas colheitas fizeram, no último ano, disparar os preços dos cereais, uma matéria-prima que está na base da maior parte dos produtos destinados à alimentação humana.

A agro-indústria está estrangulada e vê como inevitável a subida dos preços ao consumidor para o ano.

O problema é mundial e Portugal não escapa às suas consequências, ainda mais porque importa a maior parte dos cereais que consome. O pão deverá ser o primeiro produto a fazer reflectir no preço o aumento das matérias-primas. Mas todos os outros se deverão seguir.

A Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (Fipa) considera que os preços à saída das indústrias deverão aumentar entre cinco a dez por cento. Mas esta subida poderá não se reflectir no consumidor na mesma proporção, porque quem tem a última palavra na fixação dos preços é a distribuição.

Por enquanto, os 30 a 50 por cento de aumento do preço dos cereais que se regista desde o ano passado estão a ser acomodados pelos industriais, que estão a esmagar as suas margens de lucro. Isto porque os contratos com a distribuição estão feitos e não podem ser alterados a meio do percurso.

Uma situação que não pode continuar, diz Pedro Queiroz, da Fipa. A indústria prepara-se para renegociar os preços com a distribuição e neste percurso até ao consumidor há duas incógnitas: até que ponto as grandes cadeias aceitarão o aumento de preços pedido pelos produtores e até onde reflectirão essa subida no preço final, já que podem reduzir margens numa estratégia de concorrência.

O receio do aumento dos preços marcou o Verão em toda a Europa. Mas a comissária da Agricultura, Mariann Fisher Boel, já veio dizer que Bruxelas irá estar atenta a subidas "injustificadas" dos bens alimentares. O argumento é que, nos países desenvolvidos, o custo das matérias-primas, como os cereais, apenas contribui em quatro a cinco por cento para o preço final dos bens de consumo.

O transporte, a mão-de-obra, o embalamento, a energia, entre outros, contribuem para o apuramento do preço final. Mas há produtos em que o peso das matérias-primas tem mais importância do que noutros. É o caso das farinhas, das massas, dos óleos vegetais e das rações, o que, por sua vez, tem reflexos nos ovos, no leite e na carne, diz Pedro Queiroz.

A pecuária é um dos sectores onde este aumento está a ter grandes consequências. Os alimentos compostos para animais já subiram 20 por cento, mesmo assim abaixo do crescimento dos preços dos cereais. "Calculamos que, com isto, haja um sobrecusto para a fileira pecuária europeia entre os 10 mil e os 15 mil milhões de euros", diz Jaime Piçarra, da Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais (IACA).

Em Portugal, "a pecuária está descapitalizada e a situação é dramática e insustentável", adianta este responsável. "No caso do mercado da carne de suíno, a par dos aumentos dos custos, os preços na produção têm registado uma tendência de quebra devido à pressão das importações de porcos vivos provenientes de Espanha", acrescenta.

O aumento dos preços dos cereais, provocados por quedas na produção e por uma subida exponencial da procura na China e na Índia, está a deixar a indústria europeia muito preocupada. Em Itália, já houve manifestações contra o aumento do preço da massa, o leite subiu, a carne ameaça ir pelo mesmo caminho e há já receios sobre a falta de aprovisionamento de alguns bens essenciais. Mas quem mais sofrerá são os países pobres, onde o custo da matéria-prima é a componente principal do preço final, ao contrário dos países ricos, que podem tentar encaixar os aumentos nos outros custos.
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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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