| Manuel Roberto/PÚBLICO (arquivo) |
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| No final de Julho, encontravam-se inscritos nos centros de emprego 389.571 desempregados |
O secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques, afirmou hoje que desde que o Governo socialista tomou posse foram criados cerca de 60 mil empregos, num comentário aos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, que apontam para uma descida de 0,5 pontos percentuais da taxa de desemprego no segundo trimestre do ano para 7,9 por cento.
Sublinhando que "há um reforço da tendência de criação de emprego no período em que este Governo está em funções", Pedro Marques reforça que houve “uma evolução positiva””. Foi a maior queda em cadeia [trimestre anterior] dos últimos sete anos", realçou o secretário de Estado.
O membro do Governo diz não se poder " falar de uma tendência de inversão da estabilização do desemprego”, mas defender que é “sempre positivo, em termos globais".
Pedro Marques reconhece que a sazonalidade pode estar reflectida na diminuição do desemprego em cadeia, mas, salienta, que "mesmo com o efeito da sazonalidade foi a maior quebra dos últimos sete anos".
Questionado sobre o cumprimento da meta definida pelo Governo no Orçamento de Estado para 2007 de a taxa de desemprego se situar nos 7,5 por cento, Pedro Marques afirmou que o Executivo está no caminho certo. "Estamos no caminho positivo que nos leva para uma tendência de diminuição sustentada do desemprego", concluiu.
O INE avançou hoje que a taxa de desemprego em Portugal caiu 0,5 pontos percentuais no segundo trimestre deste ano, face aos primeiros três meses de 2007, para 7,9 por cento. Quando comparado com o mesmo período do ano passado, a taxa de desemprego subiu 0,6 pontos percentuais.
A população desempregada foi estimada em 440,5 mil indivíduos, o que traduz uma quebra de 6,3 por cento, face aos primeiros três meses do ano, e um aumento de 8,6 por cento, quando comparado com o segundo trimestre de 2006. Por sua vez, o número de empregados aumentou 0,4 por cento, relativamente aos três meses anteriores, e diminuiu 0,5 por cento em termos homólogos.
Também hoje, o Instituto de Emprego e Formação Profissional indicou que o número de desempregados inscritos nos centros de emprego caiu 10,8 por cento em Julho, face ao mesmo período do ano passado, completando 17 meses de quedas. No final de Julho, encontravam-se inscritos nos centros de emprego do continente e regiões autónomas 389.571 desempregados, menos 47.330 indivíduos que no período homólogo.
PSD atribui queda nos números de desemprego à sazonalidadePara o PSD, "os dados do Instituto Nacional de Estatística fazem a comparação com o primeiro trimestre e os números parecem ser positivos, mas o que primeiro motivou a queda de 0,5 por cento foram motivos de sazonalidade".
O vice-presidente da bancada do PSD Miguel Frasquilho destacou, para exemplificar, a comparação da taxa de desemprego do segundo trimestre deste ano com o período homólogo de 2006. "O mais importante é ver que em 2006, no mesmo período, a taxa de desemprego estava nos 7,3 por cento. Agora, subiu para 7,9 por cento", argumentou, considerando que esta subida representa "o aumento da deterioração das condições" da economia, que não conseguirão ser alteradas com a política que está a ser seguida pelo Governo.
"Enquanto a economia não arrancar, enquanto o crescimento não estiver consolidado nos 2,5 ou 3 por cento não será possível dar a volta", acrescentou Miguel Frasquilho.
Pelo Bloco de Esquerda, Francisco Louçã considerou que os números do INE “mostram que este ano há mais desempregados do que o ano passado e que a tendência é para piorar” e que “há um risco de aumento do desemprego em Portugal porque a ‘flexisegurança’, que é o despedimento livre, está em cima da mesa".
Louçã alertou ainda que os números do INE "são imprecisos porque não mostram a realidade dos que já nem vão ao centro de emprego". "Esses já não fazem parte das estatísticas. Alem disso, estes dados escondem uma outra realidade. É que a maior parte dos 440 mil desempregados não recebe subsídio de desemprego", criticou.
Também a CGTP defende que as políticas do Governo em matéria de emprego são “desastrosas”, sustentando que o agravamento do desemprego não pode ser desligado do fraco crescimento económico. "Estancar o desemprego e fazer crescer o emprego só será possível se houver inversão das políticas económicas que originam esta preocupante realidade", refere a CGTP em comunicado, acrescentando que "os tão prometidos 150 mil postos de trabalho são cada vez mais uma miragem".
A CGTP salienta que os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), hoje divulgados, revelam que houve um agravamento da taxa de desemprego de 0,6 pontos percentuais face ao trimestre homólogo, uma quebra de 0,5 por cento no emprego e um aumento de quase 78 mil no número de trabalhadores precários em apenas um ano.