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Ministro das Obras Públicas numa conferência sobre a Ota
Mário Lino: "Sou engenheiro civil, e inscrito na Ordem dos Engenheiros"
04.05.2007 - 14h30
Por Lusa, PUBLICO.PT 
Manuel Roberto/PÚBLICO (arquivo)
Mário Lino ao lado de José Sócrates
"Sou engenheiro civil, e inscrito na Ordem dos Engenheiros", disse hoje o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, durante a conferência de abertura do II Congresso do Oeste, onde fazia a defesa da localização do novo aeroporto de Lisboa na Ota.

"O raciocínio é: o terreno é mais plano, pelo que há menor movimentação de terras. Penso que este raciocínio não é sério e digo-o invocando a minha qualidade de engenheiro civil", disse Mário Lino.

Interrompendo a leitura do seu discurso escrito, o ministro levantou os olhos, apontou o dedo ao público e, sorrindo, acrescentou: "Inscrito na Ordem dos Engenheiros", frase que motivou uma gargalhada geral dos cerca de 500 participantes presentes.

Após a reacção da plateia, o ministro sorriu e continuou a sua intervenção.

Marques Mendes utiliza a Ota como "arma de arremesso político"

Em declarações aos jornalistas, no final da declaração sobre a Ota, o ministro disse que o líder do PSD, Luís Marque Mendes, utiliza a Ota como "arma de arremesso político", para tentar mostrar capacidade de liderança.

Referindo-se às declarações do presidente do PSD na quinta-feira à noite, na RTP1, Mário Lino disse que, "para dar um exemplo de que tinha uma liderança forte, informou que foi ele [Marques Mendes] que trouxe à luta política a questão da Ota, transformando a questão numa arma de arremesso político com pretensos estudos".

Para Mário Lino, o líder do PSD "acha que isto traduz liderança, acha que fazer oposição é escolher um tema, por exemplo, o aeroporto da Ota, e achar que isto é uma arma de arremesso político e uma matéria para se partidarizar [mesmo] sem nenhuma fundamentação".

Governos anteriores confirmaram opção

"Acho que devia haver [consenso político], porque se há consenso técnico o consenso político tinha razão de existir, porque o actual governo não alterou nada do que vinha dos governos anteriores", disse. Lembrou também que a opção foi tomada no ano 2000 e confirmada pelos sucessivos governos.

"Seguimos uma linha de continuidade a um projecto que hoje todos reconhecemos que está atrasado porque Portugal está a ter atracção de turistas e de transporte aéreo e isso é importante", sustentou.

Durante o seu discurso — centrado na defesa da construção do novo aeroporto de Lisboa na Ota (Alenquer), 50 quilómetros a Norte da capital — negou que o Governo esteja motivado "por qualquer sentimento de teimosia em avançar com este projecto", como também já tinha criticado o líder da oposição.

Para contrariar as iniciativas contra a Ota, Mário Lino disse que um grupo de engenheiros, professores universitários especializados na área do ambiente solicitou uma audiência ao governo para chamar a atenção "para os obstáculos ambientais — segundo eles intransponíveis — que se levantariam a uma eventual implantação do novo aeroporto de Lisboa entre os estuários dos rios Tejo e Sado".

O ministro citou, entre outros, Hélder Spínola, investigador universitário e presidente da Quercus; o professor Joanaz de Melo, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e ex-presidente do GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente); e Carlos Pimenta, ex-secretário de Estado do Ambiente (PSD) e director do Centro de Estudos em Economia da Energia, dos Transportes e do Ambiente.
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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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