| Paulo Ricca/PÚBLICO (arquivo) |
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| A Quercus lembra que a aquicultura acarreta problemas ecológicos |
A Quercus considera grave que o Governo apoie o projecto da multinacional Pescanova para criar uma unidade de aquicultura no concelho de Mira, lembrando que a infraestrutura vai ser construída numa zona que integra a Rede Natura 2000.
Segundo a organização ecologista, a construção do projecto esteve inicialmente prevista para Cabo Tourinan, na Galiza, mas acabou por ser chumbada por estar prevista a sua instalação numa zona com o mesmo estatuto de protecção ambiental.
A Rede Natura 2000 enquadra um conjunto de áreas com estatuto de protecção que todos os países da União Europeia definiram e que constitui um dos mais importantes mecanismos de conservação da natureza na Europa.
O protocolo de entendimento entre a Associação Portuguesa para o Investimento e a empresa Pescanova vai ser assinado amanhã, na presença dos ministros da Economia e da Agricultura. O projecto envolve um investimento global de 140 milhões de euros, a realizar em duas fases ao longo dos próximos quatro anos.
Quercus lamenta "atitude permissiva"A Quercus considera grave o facto de o Governo português aceitar e apoiar um projecto que foi recusado em Espanha pela Junta da Galicia (governo autonómico galego), precisamente pelo facto de ter sido previsto para uma zona de Rede Natura 2000.
Em declarações à Lusa, o dirigente da Quercus Hélder Spínola lembrou que, ao contrário do Governo português, as autoridades galegas demonstraram uma "atitude responsável do ponto de vista ambiental". "O investimento acabou por vir para um país onde o Governo é mais permissivo", acusou.
Riscos ambientaisA associação ambientalista admite que a produção de peixe em cativeiro tem algumas vantagens ambientais — como a redução da pressão sobre a captura de espécies selvagens —, mas afirma que acarreta problemas ecológicos (em especial se for feita de forma intensiva) devido à libertação na água de elevadas quantidades de matéria orgânica e antibióticos.
A Quercus lembra que a fábrica ficará localizada a escassas centenas de metros da praia, o que implica a destruição de mais de cem hectares de terrenos florestados ou com vegetação dunar.
A associação alerta também para os riscos da construção do empreendimento junto à costa, em terrenos próximos do cordão dunar, numa zona sujeita à erosão do mar e com inertes em suspensão. "É oportuno olhar para o que se passa na Costa da Caparica, com obras de emergência que procuram proteger bens que em tempos um cordão dunar parecia proteger da acção do mar, mas que hoje praticamente desapareceu", refere a Quercus.
"Qualquer que seja o desenrolar do processo para a fábrica de Mira, será sempre obrigatória a execução de um estudo de impacto ambiental, que inclua a ponderação de localizações alternativas em zonas menos sensíveis ambientalmente", sublinha a associação.