| André Kosters/Lusa (arquivo) |
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| Borges enfatiza a falta de possibilidade de recurso à desvalorização cambial |
Portugal não estava “à altura” de aderir ao euro em 2002, ao contrário do que se acreditava então, defendeu hoje o economista António Borges, membro da equipa que lançou o projecto da União Económica e Monetária.
“Os meus colegas perguntavam-me: ‘Mas vocês [Portugal] estão mesmo preparados?’ E nós dizíamos: com certeza que sim. Mas hoje tenho de reconhecer que, se calhar, não estávamos à altura do desafio, porque não tivemos consciência das dificuldades da mudança de regime”, afirmou Borges, numa conferência na AESE-Escola de Direcção e Negócios.
O principal “problema” do novo regime, adiantou, é que o país “não tem os mesmos instrumentos” de política monetária de que então dispunha, e que usou para lidar com as crises de 1975 e 1985, como desvalorizações cambiais ou medidas de austeridade.
E, ainda que a crise económica actual não seja “tão aguda” quanto aquelas, agora Portugal depara-se com um “problema macroeconómico”, porque a exposição à concorrência internacional é significativamente maior, defendeu.
“Estamos num regime diferente, para o qual não estamos claramente preparados do ponto de vista intelectual”, afirmou o ex-vice-governador do Banco de Portugal e actual vice-presidente da Goldman Sachs, também militante do PSD.