| Tiago Petinga/Lusa (arquivo) |
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| Carvalho da Silva apontou como lacuna a ausência de compromissos relativos a políticas que assegurem crescimento económico |
A CGTP alertou hoje para as perdas progressivas nas reformas dos trabalhadores, em consequência da reforma da segurança social, que podem ser de 4,5 por cento em 2010 e de 18,7 por cento em 2050.
“Na opinião pública ficou a ideia de que os trabalhadores tinham três alternativas, o que não passou de um mega exercício de propaganda do Governo”, criticou o secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, em conferência de imprensa.
“Mas só há uma alternativa, que é a diminuição do valor da reforma”, disse o sindicalista no final de uma reunião do Conselho Nacional da central, cujo tema forte de discussão foi a reforma da segurança social, que está a ser debatida na concertação social.
Carvalho da Silva referia-se em concreto a uma das medidas consideradas estratégicas pelo Governo para a sustentabilidade da segurança social, que é a introdução do chamado factor de sustentabilidade, que indexa a idade real de reforma ao aumento da média da esperança de vida.
De acordo com este factor, para compensar o aumento médio da esperança de vida, o trabalhador pode optar por trabalhar além dos 65 anos, por descontar mais para a segurança social ou por receber uma pensão mais pequena.
“É indispensável falar a verdade aos portugueses”, insistiu o secretário-geral da CGTP, explicando aos jornalistas que “um trabalhador que se reforme em 2010 terá uma perda de 4,5 por cento na reforma, em 2020 a quebra será de 10 por cento, em 2030 de 13,8 por cento, em 2040 de 16,6 por cento e em 2050 de 18,7 por cento”. A proposta do Governo “traduz-se no plano prático nestas perdas”, acrescentou.
Carvalho da Silva apontou também, como “duas grandes lacunas”, a ausência de compromissos relativos a políticas que assegurem o crescimento económico e a falta de atenção à componente “fundamental” do financiamento da Segurança Social. A CGTP pretende apresentar ao Governo as suas propostas sobre segurança social em 29 de Junho, em sede de Concertação Social.
Apelando à mobilização de todo os portugueses para que não se resignem e para que lutem pelos seus direitos adquiridos, Carvalho da Silva anunciou uma Assembleia Sindical de representantes dos trabalhadores de todo o país, no dia 12 de Julho, para discutir a reforma da Segurança Social e a situação económica e social do país.