| Inácio Rosa/Lusa |
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| A análise foi divulgada um dia depois de Vítor Constâncio ter sido reconduzido no cargo de governador da instituição |
A economia portuguesa conhecerá um regime de baixo crescimento no futuro próximo, prevê o Banco de Portugal na análise que integra o relatório anual de estabilidade financeira, hoje divulgado.
A previsão de um regime de baixo crescimento “e a consequente fraca criação de emprego” é atribuída a razões de natureza estrutural, as quais deverão ser agravadas por factores conjunturais, como a tendência de subida das taxas de juro.
Por ser “em larga medida de natureza estrutural”, este baixo crescimento “tenderá a persistir no futuro próximo”.
O documento, divulgado um dia depois de Vítor Constâncio ter sido reconduzido no cargo de governador da instituição, explica a actual situação com a capacidade limitada de reacção da economia a vários choques externos e internos.
“O baixo crescimento da economia portuguesa nos últimos anos resultou da combinação de um conjunto de choques de origem externa e interna com uma capacidade limitada da economia reagir a esses choques”, afirma o Banco de Portugal.
Por sua vez, esta capacidade limitada é vista como decorrente de “deficiências no funcionamento dos mercados de trabalho e de produto e na dotação de capital físico e humano”.
Daqueles choques, são particularizados a integração económica global, o aumento do preço do petróleo, a desaceleração da actividade da área do euro após 2000, o aumento da carga fiscal e, ainda, nos anos mais recentes, a incerteza sobre a forma como serão corrigidos os principais desequilíbrios da economia, em particular o elevado défice estrutural das contas públicas.
Para o futuro, e além da tendência de subida das taxas de juro, o banco central menciona o aumento da volatilidade e dos níveis de preço do petróleo, a eventual correcção abrupta do desequilíbrio externo norte-americano e a possibilidade de um aumento pronunciado das taxas de juro de longo prazo ao nível global.
O crescimento do produto interno bruto em Portugal tem vindo a perder velocidade, como evidencia a seguinte série de taxas de crescimento anual: de 3,9 por cento (1999 e 2000) cai para 2,0 por cento em 2001, para 0,8 por cento em 2002, entra em recessão (1,2 por cento) no ano seguinte, regressa ao crescimento (1,1 por cento) em 2004 e estagnou, com um crescimento de 0,3 por cento, em 2005.