| Pedro Cunha/PÚBLICO |
 |
| Os portugueses são dos cidadãos europeus com menos propensão para a mobilidade profissional |
A Comissão Europeia assinala hoje o início do "Ano Europeu da Mobilidade Profissional" com o lançamento de um sítio na Internet que disponibiliza cerca de um milhão de ofertas de emprego em toda a União Europeia.
Bruxelas pretende mostrar os benefícios da mobilidade profissional, quer em termos de mudança de emprego, quer em termos da diversidade dos 25 Estados membros.
A partir de hoje, o sítio de Internet da EURES (http://europa.eu.int/eures/home.jsp?lang=pt&langChanged=true) disponibiliza, em todas as línguas da UE, as ofertas de emprego publicitadas pelos serviços públicos de emprego de todos os Estados membros.
Além de anunciar as vagas de emprego, o portal disponibiliza ainda uma rede de cerca de 700 conselheiros, para prestar assistência aos trabalhadores em movimento.
O lançamento deste sítio é mais uma medida do executivo comunitário com vista a incentivar a mobilidade dos trabalhadores no seio da União Europeia, onde apenas dois por cento dos cidadãos vivem noutro Estado membro que não o de origem, uma percentagem inalterada ao longo dos últimos 30 anos.
Segundo o comissário europeu com a pasta do Emprego, Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades, Vladimir Spidla, a livre circulação de trabalhadores, "um direito fundamental da UE", deve ser aproveitada ao máximo, pois "proporciona oportunidades de aprender, trabalhar e adquirir novas qualificações". "Os trabalhadores necessitam de novas qualificações, e a Europa necessita de trabalhadores adaptáveis", sustenta Spidla.
Portugueses são os menos preparados para a mobilidadeDe acordo com os primeiros resultados de um amplo estudo levado a cabo na União Europeia (UE), os portugueses são dos cidadãos europeus com menos propensão para a mobilidade profissional.
Apesar de uma maioria dos portugueses (cerca de 58 por cento) considerar que, em termos geográficos, uma mobilidade de longa distância é algo de positivo, apenas 29 por cento - o sexto valor mais baixo no conjunto da UE - admitiriam rumar a outro Estado membro em busca de emprego se estivessem desempregados em Portugal, indica o Eurobarómetro, cujos dados completos estão ainda a ser analisados.
Os portugueses apresentam ainda uma das médias mais baixas da UE a 25 em termos de mobilidade profissional a nível de mercado de trabalho, já que cada trabalhador inquirido mudou de emprego em média menos de três vezes ao longo da vida, quando a média comunitária atinge praticamente quatro e nalguns casos se aproxima das seis mudanças de trabalho.