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Pneus chineses discutidos por Obama em Pequim
Um funcionário de uma fábrica de pneus na provincia de Anhui, na China, trabalha no armazem. As exportações de pneus da China para os EUA e as taxas recentemente impostas por Washington são um dos temas a debater durante a visita de Barack Obama à China. Fotografia: REUTERS/Stringer

 
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Operação de comunicação do Governo e da Microsoft
Plano Tecnológico à boleia de Bill Gates
02.02.2006 - 08h53
Por Pedro Ribeiro, Lurdes Ferreira 
Inácio Rosa/Lusa
Sócrates diz que o seu Governo partilha "a mesma visão do futuro" que a Microsoft de Bill Gates
Ao fim de dois dias, terminou a grande operação de comunicação do Governo e da Microsoft em apoio do Plano Tecnológico e para a qual José Sócrates mobilizou quase todos os seus ministros.

Ontem à tarde, o homem mais rico do mundo e fundador da Microsoft, Bill Gates, o primeiro-ministro português, José Sócrates, mais 10 ministros e a nata do sector económico público e privado do país assistiram e ou participaram na assinatura do memorando de entendimento para 18 acções de colaboração entre o país e a Microsoft.

Foi o ponto alto de uma iniciativa com a qual o Governo visou capitalizar e impulsionar o Plano Tecnológico, tendo sido mobilizada para o efeito grande parte da equipa ministerial. Algumas das acções previstas (ver lista em baixo) com o líder mundial de software foram mesmo incluídas já em véspera da chegada de Bill Gates, como o contributo da Microsoft para a iniciativa Novas Oportunidades, anunciada por José Sócrates há vários meses.

Agora, a Microsoft passa a conceder o seu currículo Literacia Digital para quem receber uma acção de requalificação no âmbito das Novas Oportunidades; e os formandos ficam com conhecimento básico de utilização de tecnologias de informação. Este é um dos resultados do convite à Microsoft para conjugar os seus interesses com os objectivos do Plano Tecnológico e que aceitou, tal como refere o documento ontem assinado.

A empresa norte-americana vai também garantir uma parte da pedagogia inerente aos cursos de especialização tecnológica, com formação pós-secundária e de vertente técnica, cuja legislação foi recentemente revista. O fabricante mundial de software passa a dar apoio técnico, pedagógico e em conteúdos Microsoft. Estes cursos também incluirão formação em Linux e Unix.

Experiência internacional para a Microsoft

Para a Microsoft, habituada aos acordos comerciais (enterprise agreements) que assina com diferentes países para contratos globais de licenciamento a preços preferenciais, este conjunto de acções constitui um projecto-piloto a nível internacional, sem frutos imediatos.

Nenhum membro do Governo nem a Microsoft avançam, neste momento, o número global de pessoas que estas acções, a realizar em 2006, vão abranger e os montantes envolvidos. Para já, cada ministro vai ter de assinar com a Microsoft o seu plano sectorial de acções, o mais breve possível, sendo que os programas sob a tutela do ministro da Ciência, Mariano Gago, são considerados entre os mais urgentes, pela necessidade de ficarem concluídos antes do próximo ano lectivo. Em 2007, as acções serão avaliadas pelas partes.

Ontem, interrogado sobre o Plano Tecnológico, Gates respondeu: "Não conheço [os detalhes do] plano. Sei que a Microsoft se ofereceu para colaborar. Alguns das coisas [incluídas no plano] são únicas - por exemplo, o centro de desenvolvimento da fala. Somos só uma de várias empresas que apoiam o Plano." Gates referiu ainda a parceria da Microsoft com o Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário (Citeve) como um "bom exemplo" da colaboração da empresa americana com o Plano Tecnológico.

Essa parceria serve para dar formação em competências informáticas básicas a desempregados do sector têxtil; este projecto-piloto, lançado no âmbito do programa Unlimited Potencial da Microsoft, começou em Dezembro com 170 desempregados em Vila Nova de Famalicão. A Microsoft mostra enorme entusiasmo por esta iniciativa.

A conferência do Government Leaders Forum, a pretexto da qual Bill Gates veio a Portugal e que reuniu líderes de governos de 50 países, abriu na terça-feira precisamente com a exibição de um pequeno vídeo referindo o projecto com o Citeve; ontem, uma mini-conferência de imprensa com Bill Gates começou com uma versão mais alargada desse vídeo.

E o presidente do Citeve, António Amorim, participou na conferência de imprensa com o presidente da Microsoft. Amorim lembrou que a globalização "tornou a indústria têxtil vulnerável na Europa", lançando muitos trabalhadores portugueses no desemprego, sobretudo no Norte: "Há que meter essas pessoas novamente no mercado de trabalho."

Amorim acrescentou que depois do centro de formação em Famalicão abrirá a 6 de Fevereiro um outro na Covilhã, e ainda um terceiro em Guimarães, em Abril. "O projecto era para ter um ano, mas [os seus resultados foram] tão entusiasmantes que deverá ser alargado para dois ou mais anos."

Antes de se despedir de Bill Gates, José Sócrates selou o momento considerando que "nasceu uma parceria assente no facto simples de que quer o Estado quer a Microsoft têm uma mesma visão de futuro". Sublinhou ser "baseada no que é crítico: o investimento no conhecimento, tecnologia e inovação" e "espelhar a confiança [da Microsoft] na economia portuguesa", onde tem uma rede de parcerias com 4300 empresas.

Bill Gates, que assumiu o seu comprometimento com as acções programadas para Portugal, citando em concreto o centro da língua e da fala, já tinha dito que os investimentos em educação precisam de tempo - uma década - para produzir efeitos. E, acrescentou, o "elemento-chave para abraçar o futuro" é o software, antevendo a construção de uma sociedade digital que permitirá dar às pessoas "mais flexibilidade".

Economia avança, ciência espera

À falta de números globais, o ministro da Economia, Manuel Pinho, é um dos raros ministros a ter previsões sobre o número de pessoas a abranger pelas medidas do Plano Tecnológico apoiadas pela Microsoft e que ficam sob a sua tutela. Aponta para 200 a 400 por ano.

Para Mariano Gago, ministro da Ciência e do Ensino Superior, não há resposta por agora, depois da mudança legislativa de fundo dos cursos de especialização tecnológica, que passam a ter uma vertente tecnológica mais forte e concentrada nos institutos politécnicos. Mariano Gago não sabe qual vai ser a resposta do mercado, mas lembra que até agora cada um dos cerca de uma centena de cursos tinha entre 20 e 30 alunos por ano.
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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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