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O secretário de Estado-Adjunto da Indústria e da Inovação, António Castro Guerra, elogiou hoje o projecto de construção de aviões "Skylander", projectado para Évora, e assegurou que o Governo pretende apoiar essa parceria franco-portuguesa.
"O Governo tem a obrigação económica e moral de apoiar este projecto", frisou o secretário de Estado, durante a visita que realizou ao "Portugal Air Show", uma bienal aeronáutica que hoje termina no Aeródromo Municipal de Évora.
Vários investimentos no campo da aeronáutica estão previstos ser concretizados naquele Aeródromo Municipal, tendo António Castro Guerra manifestado que está a "seguir muito de perto" esse dossier, em particular o que diz respeito ao "Skylander".
A construção de aviões "Skylander" no Aeródromo Municipal de Évora é da responsabilidade de uma empresa de capitais franceses e portugueses, a Sky Aircraft Industries.
Investimento global de 110 milhões de eurosO projecto envolve um investimento global de 110 milhões de euros e a criação de quase um milhar de postos de trabalho, para a construção, naquela cidade alentejana, de 900 aviões "Skylander".
O investimento está previsto arrancar já este ano, embora as instalações definitivas só devam avançar em 2006, ano em que começa também a ser construído o desenho do protótipo do avião, enquanto que as unidades para comercialização estão previstas arrancar em 2009.
"Ainda na sexta-feira tive uma reunião com pessoas associadas ao `Skylander´, a qual serviu para dar um passo em frente no sentido de clarificar o modo de financiamento do projecto", revelou hoje o secretário de Estado.
O Governo, disse, "tem a obrigação económica e moral" de apoiar o projecto, que serve "os objectivos da política industrial e da política de inovação".
"Vai mobilizar saberes novos, que Portugal não domina, associados à produção de aeronaves e complementares dos saberes que temos nas Oficinas Gerais de Manutenção Aeronáutica (OGMA)", disse.
Governo sublinha oportunidade de emprego qualificadoAlém disso, António Castro Guerra considerou também que o investimento "reúne predicados de política regional", por estar projectado para "um pólo descentralizado, como é o caso de Évora", ao invés de instalar-se "numa zona mais congestionada do país".
"E segue também os objectivos da política de emprego, não só em termos de quantidade, mas sobretudo de postos de trabalho qualificado", acrescentou.
Por todas estas razões, o secretário de Estado garantiu que o Governo pretende apoiar a construção do "Skylander" em Évora, embora não possa "financiar tudo".
"Projectos como este precisam de dinheiro e de protagonistas. O Estado não pode financiar tudo, mas, tal como eu disse na reunião da última sexta-feira, não recusamos vir a ser accionistas, apenas minoritários, da empresa", asseverou.
Isto desde que, sublinhou, "estejam reunidas as condições de sustentabilidade do ponto de vista dos capitais próprios e haja instituições financeiras que arrisquem também no projecto".
"Aí, a obrigação do Estado é apoiar com os instrumentos que existem. Queremos dar um sinal de que também estamos a partilhar riscos e enquadrar o projecto no contexto do sistema de incentivos quer à formação profissional, investimento ou aquisição de activos", adiantou.
O projecto da Sky Aircraft Industries envolve também a atracção para Évora de mais cinco empresas portuguesas e uma francesa das indústrias aeronáutica e automóvel, para o fabrico de componentes, e no ramo da certificação da qualidade.
Quanto ao festival "Portugal Air Show", que decorreu nos "céus" de Évora desde sexta-feira, juntou mais de 70 expositores, um "número recorde", em representação dos diferentes sectores da aviação civil e militar, e recebeu mais de 20 mil visitantes.