| Paulo Novais/Lusa |
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| Ludgero Marques diz que a criação do CEP permitirá uma maior disponibilidade para colaborar com o Ministério da Economia e a AIP |
O presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) considerou hoje que a futura Confederação Empresarial de Portugal (CEP), que "brevemente" será anunciada, vai corrigir o "quase abandono" do tecido empresarial do país dos últimos anos.
A fusão entre a AEP e a Associação Industrial Portuguesa (AIP) numa só entidade que represente as empresas e os empresários de todos os sectores de actividade foi, aliás, uma das razões invocadas por Ludgero Marques para decidir a sua recandidatura a mais um mandato à frente dos destinos da AEP, instituição que lidera há 21 anos.
"Considero que a recuperação da economia portuguesa passa principalmente pelas PME [Pequenas e Médias Empresas] e, de entre estas, as empresas industriais têm um papel prioritário. Mas para que tal aconteça, é necessário que sejam implementadas as medidas correctas, assentes no conhecimento das suas realidades", disse.
Para o empresário, "só através da indústria" Portugal será capaz de aumentar as exportações e valorizar o produto português.
Ludgero Marques falava no Europarque, em Santa Maria da Feira, durante a cerimónia de posse dos órgãos sociais da AEP para o triénio 2005-2008, que contou com a presença dos ministros da Economia e das Finanças.
"Hoje posso dizer que vamos ter uma cúpula associativa, uma voz única do empresariado português onde todas as empresas estejam representadas - indústria, comércio e turismo - pequenas, médias e grandes empresas", referiu o empresário, minutos depois de uma reunião com o ministro da Economia.
De acordo com o presidente da AEP, a criação do CEP conduzirá a uma maior disponibilidade para colaborar com o Ministério da Economia e com a AIP no sentido de "corrigir o quase abandono a que esta parte essencial da estrutura económica [o tecido de PME] tem sido votada".
Segundo Ludgero Marques, esta acção deverá ser dirigida em quatro áreas, que são as que resultam das principais deficiências das PME portuguesa: educação e formação profissional, inovação e desenvolvimento (plano tecnológico), internacionalização e criação de dimensão das PME portuguesas.
Num discurso em que o empresário não poupou críticas ao sector da educação, à rigidez laboral e às "promessas" governamentais, houve ainda tempo para falar da "falta de condições logísticas" para manter o "autêntico alfobre de empresários e empresas" existente no Norte do país, que tem obrigado à deslocalização das empresas para junto dos órgãos de decisão, em Lisboa.
"Portugal tem perdido muito do seu nervo económico, da indústria criativa e das exportações, ao não encontrar soluções para utilizar este potencial único no país", concluiu.
No final, e numa palavra de "optimismo", mas também de crítica, Ludgero Marques congratulou ainda os "heróis", empresários e trabalhadores, que "assumem riscos sem a protecção do Orçamento de Estado, trabalhando e procurando trabalho, sem perder tempo em manifestações ou reivindicações inoportunas".