| Phil Coale/AP |
 |
| Os Estados Unidos necessitam de assegurar o abastecimento das zonas sinistradas pelo “Katrina” |
O Ministério da Economia anunciou hoje que Portugal vai apoiar os Estados Unidos com dois por cento das suas reservas de produtos de petróleo, numa resposta ao pedido de ajuda da Administração Bush para suportar as consequências do furacão “Katrina” nos estados do sul do território norte-americano.
Em comunicado, o Governo explica que “face às consequências da passagem do furacão ‘Katrina’ pelo Golfo do México, os Estados Unidos solicitaram, através da Agência Internacional de Energia, o apoio dos vários membros daquela instituição”, sendo esta a resposta de solidariedade portuguesa.
O Ministério das Finanças indica que a ajuda será feita “através de crude armazenado no Norte da Alemanha”, garantindo que não haverá qualquer impacto nos ‘stocks’ de petróleo bruto existentes em Portugal. De acordo com o Executivo, os “’stocks’ manter-se-ão bastante acima dos níveis obrigatórios, não havendo, por isso, qualquer impacto negativo no fornecimento de combustíveis em Portugal”.
Portugal tem reservas estratégicas de 30 dias de gasolina, 30 dias de gasóleo e dez dias de GPL (gás liquefeito de petróleo), segundo fonte da Entidade Gestora de Reservas Estratégicas de Produtos Petrolíferos.
Além de Portugal, também a Alemanha, Itália e Bélgica anunciaram que vão disponibilizar parte das suas reservas de petróleo, numa acção concertada com os membros da Agência Internacional de Energia (AIE).
Os estatutos da AIE prevêem o recurso às reservas estratégicas dos seus membros para responder à escassez num outro país membro. Segundo o Ministério da Indústria francês, a AIE apelou aos “stocks” estratégicos dos seus países-membros em cerca de 60 milhões de barris por mês para permitir aos Estados Unidos assegurarem o abastecimento das zonas sinistradas pelo “Katrina”.
O Governo norte-americano apelou já hoje aos países europeus que cedam gasolina das suas reservas estratégicas de petróleo e derivados para fazer frente à crise energética provocada pelo furacão. Os Estados Unidos necessitam de mais dois milhões de barris diários de produtos refinados, devido às interrupções na extracção de crude e na produção das refinarias provocadas pelo ciclone.
O furacão diminuiu em 92 por cento a extracção de crude no Golfo do México, a qual equivale a cerca de 30 por cento da produção petrolífera norte-americana, e interrompeu a produção de nove grandes refinarias, tendo reduzido a de outras por falta de energia eléctrica.
Os EUA consomem diariamente cerca de 18 milhões de barris de petróleo, dos quais mais de 13 milhões são importados.