| Catarina Falcão/Lusa |
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| Carvalho da Silva apresentou as propostas da CGTP em conferência de imprensa |
A CGTP reivindicou hoje o aumento do salário mínimo nacional para 400 euros, a partir de 1 de Janeiro do próximo ano, por considerar que este valor permitiria recuperar algum poder de compra a quem o aufere. Actualmente o salário mínimo é de 374,6 euros.
A proposta da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) equivale a um aumento de seis por cento (25 euros) e, a ser aceite pelo Governo, teria impacto directo sobre 400 mil trabalhadores.
O impacto indirecto deste aumento beneficiaria muitos milhares de trabalhadores que ganham salários ligeiramente acima do salário mínimo nacional, disse o secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, em conferência de imprensa.
O salário mínimo nacional serve também de referência para as pensões mínimas do regime contributivo da segurança social - do regime geral, agrícola e social -, que abrangem um milhão e 800 mil pensionistas.
Carvalho da Silva lembrou que o salário mínimo nacional se desvalorizou nos últimos três anos relativamente aos salários médios e afirmou que o valor reivindicado pela sua central sindical é perfeitamente possível de aplicar, desde que o Executivo tenha vontade política de o fazer.
Para o sindicalista, a fixação do salário mínimo nacional nos 400 euros seria um indicador da evolução dos rendimentos dos portugueses e poderia ser um factor estratégico para aumentar a procura interna, melhorando a economia.
A CGTP apresentou hoje aos jornalistas os princípios orientadores da sua política reivindicativa para 2006, mas não avançou com nenhum referencial para os salários, que deverá ser definido no Conselho Nacional que se realiza no próximo dia 9.
Carvalho da Silva adiantou, no entanto, que mais importante que qualquer referencial são os princípios que deverão servir de base à contratação colectiva.
O sindicalista defendeu que a grave crise económica e social do país exige uma estratégia de desenvolvimento que trave a destruição do aparelho produtivo e o desemprego.
A qualificação da força de trabalho e do emprego e a melhoria dos salários, tendo em conta a evolução do custo de vida e do nível de produtividade, foram consideradas prioritárias pela CGTP, que promete bater-se pela concretização do direito à formação.
A CGTP defende ainda como prioridades para a actividade sindical a dinamização da contratação colectiva e a revogação das normas do Código do Trabalho que a limitam, nomeadamente as que podem levar à caducidade dos contratos colectivos de trabalho.