| João Relvas/Lusa |
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| Os economistas reconhecem que Portugal vive uma profunda crise |
Treze economistas portugueses publicam hoje no "Diário de Notícias" um manifesto a alertar para o que consideram ser o perigo do investimento em "grandiosos projectos". Sem nunca referirem o TGV e o aeroporto da Ota, os economistas consideram que "parece ter emergido uma corrente de pensamento que acredita que a superação da crise pode estar no investimento em obras públicas, sobretudo se envolvendo grandiosos projectos convenientemente apelidados de estruturantes".
O manifesto, denominado "O investimento público não faz milagres", foi assinado, entre outros, por António Carrapatoso, António Nogueira Leite, José Silva Lopes, João Salgueiro, Fernando Ribeiro Mendes, Miguel Beleza, Henrique Medina Carreira, João Ferreira do Amaral, Augusto Mateus e Vítor Bento.
Os economistas reconhecem que Portugal vive uma "profunda crise", com um "excesso de despesa, quer ao nível das finanças públicas, quer ao nível da sociedade em geral". Face a este cenário, os economistas consideram que Portugal deveria estar a "tomar medidas de contenção orçamental, de incentivo económico a favor dos sectores produtores de bens transaccionáveis, de promoção da eficiência económica e de uma moderação da despesa colectiva". Porém, "parece ter emergido uma corrente de pensamento que acredita que a superação da crise pode estar no investimento em obras públicas, sobretudo se envolvendo grandiosos projectos convenientemente apelidados de estruturantes", acusam os signatários do manifesto.
"Porque a situação é séria e o país não pode, sem pesados custos, embarcar em mais experiências fantasistas, importa dizer, de forma muito clara, que essa ideia é errada e a sua eventual concretização poderá ser desastrosa para o país", afirmam.
"Porque o momento é grave; porque continuar com tergiversações à volta do essencial (onde se inclui a reforma do próprio Estado), apenas ajudará o país a afundar-se numa senda de definhamento; e porque é altura de a própria sociedade civil se deixar dos brandos costumes do conformismo e dizer o que tem que ser dito; os signatários entendem dar este seu contributo à reflexão da sociedade e dos poderes políticos", concluem.