| Estela Silva/Lusa |
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| Freitas do Amaral considera que a junção de duas zonas de comércio livre daria origem a uma zona imensa, algo único no mundo |
O relançamento das negociações entre a União Europeia e o Mercosul tem como objectivo geo-estratégico a criação de uma zona de comércio livre com 800 milhões de pessoas, afirmou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, após a primeira reunião de trabalho dos chefes da diplomacia ibero-americanos, em Guimarães.
Segundo o ministro, cuja visão foi partilhada pelo homólogo espanhol, Miguel Angel Moratinos, "as negociações entre as duas organizações devem ter em vista um objectivo geo-político e geo-estratégico mais vasto, de forma a não se enredarem nos interesses, pequenos ou grandes, deste ou daquele pais ou região".
Freitas do Amaral sublinhou que, "a junção de duas zonas de comércio livre, a europeia e a sul-americana, ambas com 400 milhões de habitantes, daria origem a uma zona imensa, algo único no mundo".
Os dois ministros dos Negócios Estrangeiros, que participaram numa conferência de imprensa conjunta após a primeira reunião de trabalho dos ministros ibero-americanos, adiantaram ainda que Portugal e Espanha vão mandar uma carta ao Mercosul propondo o reinício das negociações com a União Europeia. Miguel Angel Moratinos disse que na última reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia "houve já uma grande sensibilidade para a necessidade de se retomar o processo, tendo em conta o seu grande interesse para a Europa e para a América do Sul".
Por sua vez, Freitas do Amaral salientou que as negociações entre os dois blocos não podem permanecer paradas por razões meramente técnicas pelo que se impõe que "sejam retomadas através de uma reunião política".
As negociações políticas entre a União Europeia e o Mercosul, uma organização comercial comunitária de países latino-americanos que integra o Brasil, a Argentina, o Uruguai, e o Paraguai, ficaram num impasse em Novembro de 2004 por razões técnicas, ligadas, em grande parte, ao problema dos entraves alfandegários de exportação de produtos agrícolas sul-americanos para a Europa.