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Pneus chineses discutidos por Obama em Pequim
Um funcionário de uma fábrica de pneus na provincia de Anhui, na China, trabalha no armazem. As exportações de pneus da China para os EUA e as taxas recentemente impostas por Washington são um dos temas a debater durante a visita de Barack Obama à China. Fotografia: REUTERS/Stringer

 
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É o valor, em mil milhões de euros, que atinge o crédito incobrável no segmento dos particulares em Portugal
 

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Economistas concordam
Défice de 6,83 por cento expõe peso excessivo do Estado na economia
23.05.2005 - 16h21
Por Lusa 
Nelson Garrido/PÚBLICO
O aumento dos impostos deve incidir, primeiro, sobre o tabaco, os combustíveis e os produtos petrolíferos e só depois sobre o rendimento do trabalho
O défice público de 6,83 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), apurado pela comissão liderada pelo governador do Banco de Portugal, prova que o Estado tem um peso excessivo na economia portuguesa, segundo economistas como João Ferreira do Amaral, João César das Neves e Cristina Casalinho.

Para debelar "a situação financeira grave" - como caracterizou hoje o ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha - economistas como João Ferreira do Amaral, João César das Neves e Cristina Casalinho defendem o aumento dos impostos e cortes na despesa pública.

João Ferreira do Amaral, economista do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), considera que é preciso que o Executivo faça contas para ver qual o imposto que pode gerar maior receita fiscal.

Na sua ordem de preferência para aumentos surgem os impostos sobre produtos petrolíferos e sobre o tabaco. Se for necessário, o IRS e o IRC também poderão ter de aumentar, na opinião do professor de Economia, mas o IVA deve ficar fora destas subidas.

Um défice de 6,83 por cento do PIB significa que "a despesa saiu de controlo", segundo o ex-assessor para os assuntos económicos do ex-primeiro-ministro Cavaco Silva, João César das Neves. Devido a esse descontrolo, é necessário mudar a estrutura do Estado e repensar o processo orçamental, argumentou.

Para o professor da Universidade Católica, as medidas para corrigir o desequilíbrio orçamental têm que ser do lado da despesa porque as do lado da receita, que foram tomadas nos últimos anos, só acabaram por "aumentar mais o monstro [do défice]".

O problema é que o Estado está a gastar demais, pelo que é necessário tirar ao Estado aquilo que ele faz mal, conclui César das Neves.

Cristina Casalinho, economista-chefe do BPI, reconhece também que o número do défice é "muito elevado", o que traduz o facto de o Estado representar um custo muito elevado para a economia, devido à oferta de serviços e o seu nível de eficiência.

Na sua opinião, o Executivo vai precisar de "racionalizar a despesa e os serviços do Estado", incentivando uma "cultura de rigor e boa gestão".

Como estas mudanças estruturais vão demorar tempo a apresentar resultados, o Governo terá que actuar do lado das receitas.

Para Cristina Casalinho, o aumento de impostos deve acontecer sobre os produtos petrolíferos, sobre o tabaco, bebidas alcoólicas e sobre os automóveis (este último pode ter até um efeito positivo na redução do défice externo).

As receitas de IRS e de IRC são mais sensíveis ao ciclo económico do que as dos impostos específicos, pelo que aumentos das taxas dos impostos sobre os rendimentos podem ter um efeito negativo de limitar o aumento das receitas que entram nos cofres do Estado, explicou Cristina Casalinho.

O ministro de Estado e das Finanças anunciou hoje que o défice orçamental, à data de Março deste ano, era de 6,83 por cento do PIB, ultrapassando o limite de três por cento do PIB estabelecido pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento e os 2,9 por cento orçamentados em Outubro pelo anterior Executivo PSD/CDS liderado por Pedro Santana Lopes.

O combate do défice público é o assunto único da reunião extraordinária do Conselho de Ministros marcada para amanhã. Hoje, o Presidente da República, os partidos políticos com assento parlamentar e os parceiros sociais são informados do relatório Constâncio e das medidas que o Governo pensa tomar para contrariar a derrapagem orçamental.
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"O 'monstro' não se controlou. Pelo contrário, parece totalmente descontrolado"
Helena Garrido, "Jornal de Negócios", 20-11-2009
 

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