| Paulo Carriço/Lusa |
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| Os ex-trabalhadores que estão há duas semanas em vigília junto à fábrica não conseguiram impedir a entrada dos técnicos, devido à intervenção da polícia |
O Ministério da Administração Interna ordenou a retirada dos elementos da polícia de intervenção da fábrica da Bombardier na Amadora. Os agentes vigiavam, desde esta manhã, cerca de 30 ex-trabalhadores que impediam a saída de material da unidade.
Esta manhã, trabalhadores entraram nas instalações da fábrica da Amadora, com a polícia, para começar o desmantelamento e retirada de equipamento da secção de robótica, perante a indignação de um grupo de ex-trabalhadores da Bombardier.
Cerca de 30 ex-trabalhadores, que estão há duas semanas em vigília junto à fábrica para evitar a saída de material, não conseguiram impedir a entrada dos técnicos, devido à intervenção da polícia.
De acordo com António Tremoço, do Sindicato dos Metalúrgicos, em declarações à Lusa, oa antigos trabalhadores vão manter-se no local durante a noite, para impedir a passagem de camiões que, eventualmente, queiram ir buscar à fábrica a maquinaria desmontada. O sindicalista indica que dentro da empresa continuam seis trabalhadores a desmontar maquinaria.
A decisão da Bombardier de ordenar a retirada do material surpreendeu e desagradou o Governo, já que está marcada uma reunião com a administração da multinacional canadiana para quarta-feira.
Esta tarde, o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações emitiu um comunicado onde sublinhou que manifestou "o seu forte desagrado junto do administrador delegado da Bombardier", mas que este sustentou "não ter poderes para inverter a situação criada".
Indicando que a situação "não pode deixar de afectar a credibilidade e a boa fé da empresa no âmbito do processo negocial", o ministério salienta que a Bombardier não apresentou propostas concretas e aceitáveis de aluguer ou venda do complexo produtivo.
"O Governo já procedeu a uma análise das iniciativas e diligências efectuadas antes da sua entrada em funções, tendo verificado não existirem quaisquer compromissos firmes, definições de objectivos para o sector público ou linhas negociais orientadas nesse sentido", refere a nota da tutela, cujo ministro é Mário Lino.
No entanto, o Governo garante que já deu instruções à administração da CP para precisar o que possam vir a ser os objectivos e métodos negociais que permitam manter em Portugal capacidade para a construção de material circulante ferroviário.