| Miguel Moura/Lusa |
 |
| Carvalho da Silva diz que o clima de esperança e expectativa que resultou das eleições não pode ser frustrado nem torpedeado |
A CGTP defendeu hoje a revogação das "normas mais gravosas" do Código do Trabalho pelo futuro Governo liderado por José Sócrates e a aprovação de medidas concretas e imediatas que permitam valorizar os trabalhadores.
O secretário-geral da intersindical, Manuel Carvalho da Silva, salientou, em conferência de imprensa, a quebra verificada na contratação colectiva no último ano, em consequência da nova legislação laboral, e lembrou que o PS prometeu rever o Código. "É essencial revogar as normas mais gravosas do Código do Trabalho, valorizar e dinamizar a negociação colectiva e promover um diálogo social consequente a todos os níveis, do nacional ao local de trabalho", sustentou.
O sindicalista referiu que o clima de esperança e expectativa que resultou das eleições legislativas de ontem "não pode ser frustrado nem torpedeado" e referiu "quatro aspectos cruciais que exigem respostas concretas e imediatas" do futuro Governo e da nova maioria parlamentar. A CGTP pretende que seja dada prioridade à valorização do aparelho produtivo e do emprego, dos salários e ao combate às desigualdades sociais.
Carvalho da Silva disse esperar um compromisso do Governo socialista, num curto prazo, para revalorizar o salário mínimo nacional, enquanto "facto decisivo no combate à pobreza e no impulso do crescimento económico".
O líder da intersindical defendeu ainda a revogação de algumas leis que contribuiram para agravar as desigualdades sociais e reafirmou o seu empenho em contribuir para uma mudança política do país, que permita mais progresso e justiça social.
Quanto aos resultados eleitorais, a CGTP considerou que evidenciam "uma profunda derrota da direita e das suas políticas" e que os portugueses exigem uma mudança clara de políticas.
O PS alcançou uma vitória histórica nas eleições de domingo ao conseguir a sua primeira maioria absoluta (45,05 por cento dos votos), conquistando 120 dos 230 deputados da Assembleia da República.
O PSD sofreu uma pesada derrota ao cair de 40,15 para 28,7 por cento dos votos, ficando com 72 deputados. A noite eleitoral ficou marcada pelo abandono de Paulo Portas da liderança do CDS-PP, depois do partido ter conquistado apenas 7,26 por cento dos votos e 12 deputados, passando a ser a quarta força política, depois da CDU.
A CDU elegeu 14 deputados, mais dois que nas legislativas de 2002, e o Bloco de Esquerda subiu de três para oito deputados.